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Braveheart - This house in my head

Quem me conhece um pouco sabe que metal não é minha praia. Sabe que eu, apesar de conhecedora de inúmeros tipos musicais, não sei diferenciar um estilo de outro e confundo muito as bandas.


Aliás, foram raríssimas as vezes que prestei atenção em uma banda com claras tendências metalísticas e não sei dizer ao certo porque, mas são elas God Machine e Smashing Pumpkins. Ambas são interessantes e me causam um sorrisinho no canto da boca quando as ouço, mas pára por aí. Não, minto, eu gosto do disco do Black Sabath que tem Iron Man e do Aces of Spade do Motorhead e fim, chega, já é muito metal para um dia só.


E eis que dou de cara com o Braveheart. Confesso que ouvi a primeira vez por curiosidade, já que o vocalista da banda era meu professor e eu achei o título do disco bacana. Já de cara fiquei chocada com a qualidade da gravação, sim eu sei amiguinhos, estamos em 2009 e os estúdios estão mais modernos e blá-blá-blá, mas convenhamos, a maioria das produções indies e punks deixam muito ainda a desejar.  Talvez porque a maioria dos produtores de estúdio sejam metaleiros ou bossanoveiros, seja como for, há ainda esta lacuna. Não ouvi o disco de primeira, fui pulandinho, ouvia um pedacinho e pulava, a primeira que ouvi inteira foi “Lier” e por uma explicação lógica, começa com uma microfonia animal de linda! Seguida por uma bateria simples e só depois você se dá conta que a música já começou, os riffs de guitarra são originais e ousados. O vocal é perverso, no pior sentido da palavra. Se for  para comparar a algo, pode-se dizer que é como se o Metallica tivesse as bolas do Pantera.  Depois de agarrada por esta avalanche de raiva, resolvi voltar para as primeiras faixas para ver se havia perdido algo, e sim, decididamente tinha. “Real” a primeira faixa é um tapa, mais uma vez é perceptível perversidade nos vocais, mas sem a raiva, como se fosse apenas a maldade por ser mal. Há movimento em toda a música, ao ouvi-la é impossível não ter vontade de entrar em um carro e rodar a esmo pela cidade. As baterias também são bem dosadas, não sendo nem tediosas nem egocêntricas demais, belo trabalho de linhas e a paradinha é a melhor.  “Old house” tem uma bela introdução de guitarras, seguidas de uma linha de baixo de arrepiar os cabelinhos da nuca, ótimo trabalho de acordes! A faixa remete a um grunge, mas sem o ostracismo e os exageros do estilo, sendo mais uma referencia pelos timbres escolhidos, já que os graves (divinos por sinal) são maioridade. Em “Blind Rebel” é possível sentir a criatividade nos arranjos de guitarra berrando, numa linha pouco convencional. O refrão surpreende pela quebra de tempo e uso de violão, o aumento da intensidade desperta a curiosidade. Há horas em parece que a música irá se perder, mas os músicos demonstram inteligência e malícia para amarrar as estrofes de maneira única e instigante. “Fade Away” trás o vigor e o punch de um show, dá vontade de sair pulando pela sala, sua estrutura simples faz com que se assimile rapidamente as partes da música, tornando-a um hino quase que imediatamente, adrenalina pura. A melhor faixa e a mais surpreendente é a última, “Losing  Inside”, é como se a banda tivesse deixado  o melhor para o final. A primeira surpresa é a introdução, um baixo cheio de ginga e efeito que destoa totalmente do tradicional metal. Depois o que se vê é um arranjo brilhante que intercala violência e suavidade, sem exageros, sempre na hora certo. Com pouco mais de oito minutos termina com um motoqueiro deixando um dedilhado de guitarras, perfeito para o gênero.
Braveheart é a prova de que é possível, dentro de um estilo tão tradicional e repetitivo, ser criativo e original, pena que, ao que tudo indica, seu público não esteja tão aberto ou interessado no que há de novo, preferindo os velhos bordões e as irritantes masturbações mentais com o mesmo conteúdo mastigado e previsível.

Para baixar o disco, você pode acessar ao site dos caras: http://www.braveheart.com.br/

ou se preferirem uma dose homeopática, na seção "Programas" disponibilizamos algumas musiquinhas para a degustação.
 

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Autor: kellematos
Publicada em: 27/11/2009


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