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Fever Ray - Fever Ray

A moça é conhecida como Andersson, é sueca e estranha. O mundo alternativo a conheceu em sua segunda banda, The Knife, com seu irmão que tem o nome impronunciável Olof Dreijer e causaram bastante em 2006. Eles fizeram pouquíssimas apresentações e sempre mascarados. Mas não lançaram nada desde então e eis que em 2009 a mocinha se cansa de ficar quieta e faz um disquinho muito, mas muito interessante.

ATENÇÃO, se você não gosta de músicas diferentes, acha que Björk canta fora do tempo, que a PJ Harvey realmente escreve uma carta em “The Letter” ou que a Yoko Ono é uma japa louca, nem perca tempo tentando clicando aqui.

Agora, se você acha que Björk precisa de ajuda psiquiátrica ou simplesmente ela canta de uma maneira que você, reles mortal nunca vai entender e que sente o seu coração arranhado, sangrando todas as vezes que a PJ inicia um acorde ou que a Yoko Ono é realmente uma japa louca, você vai amar clicar aqui.

O disco começa com “If I had a heart”, tons graves, vocal masculino sintetizado, letra repetitiva, como um mantra, ritmo seco e grave, escrita para ser parte de uma trilha de algum filme de David Linch, misteriosa e triste, engenhosa e sinistra.

Em “When I Grow Up” a moça descamba para o ritualismo tribal.  O uso de guitarras repetidas e simples dão o clima da música e o vocal é quase uma ladainha indígena.  Os sintetizadores lembram o francês  Jean Michael Jarre pelos timbres e a música termina como começou e você começa a coçar a cabeça se perguntado se perdeu alguma parte.

“Dry and Dusty” trás o vocal sintético e masculino de “If I had a heart” mas com mais sentimento. O clima da música é muito mais são que o das duas primeira, mas não menos misterioso. A entrada da segunda parte da música é absolutamente lindo!

A quarta canção é “Seven” e é mais convencional, se é que pode-se dizer, e apesar da beleza estrutural não me atraiu tanto.

E na faixa seguinte, “Triagle Walks” as coisas começam a fazer mais sentido, o instrumental não é tão original quanto os das anteriores, contudo o vocal é a peça mestre que conduz a canção para um plano extra.

“Concrete Walls” parece que começa de trás pra frente e puxa mais uma vez para o ritual tribalista, com ruídos de chocalhos ao fundo. O vocal masculino deixa a música com tom sinistro mas triste, opa!, acho que já disse isso antes. Mas é como se alguém tivesse morrendo, é diferente, não é passivo. Ao meio dá música percebi que a cada mudança de estrofe me comportava como um cachorro quando não entende a ordem do dono e vira a cabeça de ladinho. “Now’s the only time I know” puxou-me para a realidade novamente, mais convencial, diferente nos ruidos sintéticos e agudos.

E voltamos para o mundo maravilhoso de Andersson em “I’m not done” com seus vocais incomuns e uma base rítmica relativamente simples marcadas por palmas. O mais interessante é a intensificação da música a medida em que o tempo vai passando, é como se a qualquer momento fosse explodir mas não se chega a isso, lembra-me o desconforto da personagem principal, interpretada por Nicolas Cage no filme Adaptação.

“Keep the streets empty for me” lembra em alguns momentos a frieza caracterizada das músicas do Postishead com uma pitada de Patti Smith. Contudo a moça tem personalidade para conduzir a canção e fazê-la ser a mais bonita esteticamente falando do disco.

A ultima faixa é a bela “Coconut”, uma longa introdução seguida de um vocal triunfante, é como se Andersson cantasse com um sorriso nos lábios.

E sobem os créditos e as luzes do cinema se acendem, você olha atordoado a sua volta, todos já foram embora. Antes de começar a descer o lance de degraus até a porta, você olha mais uma vez para a tela branca, enorme e inerte a sua frente. Fica indeciso alguns minutos e nota que o vizinho deixou um pacote de pipoca praticamente cheio. Senta com um pouco de vergonha e observa as pessoas chegarem para a próxima seção, pensa que se assistir mais uma vez o filme talvez entenda o que o diretor quis dizer.

É assim que o disco acaba, é como se você tivesse perdido a parte mais importante do enredo, uma sensação de mistério que, ao invés de desestimular, instiga para se ouvir mais e mais vezes. Mas lembre-se de na próxima vez deixar o coração mais aberto do que nunca.


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Autor: kellematos
Publicada em: 10/01/2010


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