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EBM Brazil Chronicles Vol. 01

Primeiro lançamento da Metropolis Recs, mostra variedade e diferentes visões da cena eletrônica brasileira. Voltado para o underground, são 13 músicas de diferentes bandas e produtores, o que torna o material ainda mais rico.

 

A primeira faixa é “Fragments of an Odissey (Original Mix)” do projeto Obiit do goiano Clóves Cardoso. A faixa possui várias camadas, mas ao contrário das tradicionais batidas da música eletronica, há espaço para a reflexão. Ao longo de seus 8’23” é possível experimentar uma série de emoções que vão do tédio à tristeza, mantendo na base um ruido que muito lembra ao som residual após uma explosão atômica.  Apesar do niilismo e pessimismo é possivel sentir que o músico esforça-se para transgredir o som mecânico e dar emoções aos bits eletrônicos.

 

Seguido pela A Industrya, projeto do DJ Valter Sangregório e uma das mais ativas e respeitadas do segmento, trás a faixa “Factory Defaults (Original Mix)”. Recheada de batidas dançantes e excelente linha de teclado, Walter mostra o porquê é considerado um dos melhores. As texturas graves e a inquetação da bateria é constante e o belo trabalho nas linhas ritmicas impede que a música torne-se enfandonha. O músico mostra habilidade também para a quebra de tempos e variedades de ruídos, que num primeiro momento parecem desconexos mas que ao decorrer da música tornam-se congruentes.

 

“Mother Machine” do Hatech vem na seqüência fazendo a qualquer fã do gênero sorrir. A banda de Guarulhos é absolutamente perfeita. As batidas são empolgantes, a violência seca escorre pelos vocais Ayka Zero. Muito, muito bom, deixa muito gringo no chinelo. Atenção a linha grave do instrumental e a escala, que apesar de agressiva, possui um toque de tristeza que eu não ouvia a muito tempo.

 

Nahtaivel chega com sua “A Journey to Death (Album Version)” . Vocais agudos com urros, perfeita para ser ouvida diretamente do inferno.  A linha de teclados é bastante repetitiva e pode vir muito bem a calhar se você decidir ouví-la enquanto joga DOOM II.

 

A confusa “Sun Illusion (H vr.)” de Tatari Gami desnorteia aos mais desavisados. As batidas rápidas, quebradas e texturizadas dão a música uma expetacular introdução. O vocal é extraordinário, Front Line Assembly na veia! A música possui ótima quebradas e se o mundo acabasse hoje, certamente a música que ouviríamos logo depois do hecatombe seria esta.  É sem sombra de dúvidas uma das melhores faixas da coletânea.

 

Inquietante, é o primeiro adjetivo que me vem a mente ao ouvir “Molecular Reaction (Original Mix)” do Machine Revenge, que diga-se lá, tem um nome muito muito bacana. A música agitada possui boas levadas, contudo há de se ser cuidadoso na mixagem, pois muitas partes pareceram desconectadas do restante. No mais, as batidas mais limpas possuem textura interessante e as linhas graves são bastante originais.

 

Os mineiros do Lost Days apresentam “Complete Rage (Original Mix)”, uma bela e caótica canção niilista. O vocal é divino, completo, consistente ... O interessante é o uso de guitarras em linhas agudas e melódicas, tornando a música fruída e única. Belo trabalho de sintetizadores e mixagem. A entrada do vocal no contratempo arrepia os cabelinhos da nuca. Desde ”You may start” do Klangstabil que uma música não me agradava tanto.

 

Com influências claras de metal, o NeuroAttack tras “Technology (Original Mix)”. Os vocais bastante mecanizados dão a música um tom bem interessante. O projeto de Brasília apodera-se do clima extremamente seco da cidade para dar o tom da música.

 

Indo direto para os anos 80 temos o Serious Voice e sua “Near the Edged (Original Mix)”. Com vocais mais polidos e bastante apelo a sintetizadores, a banda diferencia-se do restante das outras bandas da copilação.

 

Já a música do Droid Matron, lembra e muito os antigos jogos da Nintendo. Impossível não remetê-la aos joguinhos do começo da década de 90. Interessante e inteligente.

 

“Body Voltage (Original Mix)” do Frontrunner, projeto do paulistano Julio Saraiva, tras o lado mais frio dos mecanismos tecnológicos modernos. O mais interessante é que em boa parte da música não há presença dos tradicionais bumbos graves tradicionais no estilo músical. Lembrou-me a classe das banda produzidas pela extinta Cri du Chat.

 

Seguindo temos o Spharion com sua bela “Travelling (Original Mix)”. É uma daquelas músicas que você jura que está errada, mas está certa. O tempo ardiloso das batidas, muito bem montadas, engana até ouvintes mais experientes. A beleza fica por conta das transições, que apresentam coerencia e criatividade.

 

Fechando a coletânea temos o Nuclear Fusion com a música “Satanic Project (Extended Version)”. São 8’59” de chapoletadas graves e variadas. A melhor maneira de descrever a faixa é: imagine-se num forno de microondas... dentro dele quero dizer... hehe. A faixa desnorteia e faz juz ao nome.

 

Olhando as 13 faixas pode-se afirmar que a coletânea cumpre seu papel, não apenas de mostrar a cena underground eletronica brasileira, mas de mostrar que os rebentos tupiniquins são tão maduros, ousados e criativos quanto os gringos. Se você não conhece o gênero é uma boa forma de ambientar-se e se já é fã é coisa para se esbaldar.

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Autor: kellematos
Publicada em: 01/02/2010


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