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4AD - 30 anos

1979 foi o início do fim do "BUM" punk e o nascimento do pós-punk. Sid Vicious, dos Sex Pistols, morreu de overdose no início do ano e poucos meses depois, o Joy Division de Ian Curtis lançava nada mais, nada menos que Unknown Pleasures. Neste maldito (bendito!) ano, que Ivo Watts-Russell e Peter Kent, funcionários da loja de discos "Beggars Banquet" de Londres, se juntaram com a ajuda do dono Martin Mills (que emprestou cerca de £2000 aos dois) e resolveram lançar algumas demos de bandas novas que recebiam no balção da loja. A partir daí, o mundo nunca mais foi o mesmo.



Watts-Russell, a força criativa por trás de tudo, queria encontrar uma nova atmosfera na música, que poderia ser mais do que apenas uma trilha sonora de festa e diversão. Em uma rara entrevista dada em 1999, ele explicou sua motivação: "Eu me lembro quando era jovem de ouvir música e pensar 'Eu não sabia que música podia fazer tudo isso.' Isso pode ser um sentimento de libertação de tensão reprimida ou agressão, ou apenas um transporte para um momento lindo, único e emocional. É algo simples que se conecta. Eu não sei porque isso acontece, mas existe, está lá, e estou muito contente que esteja.".



Na primeira semana de 1980, lançaram 4 singles assinando como Axis Records. Mas esse nome durou pouco, pois aparentemente já existia uma gravadora chamada Axis. A solução foi encontrada em um flyer promocional feito para lançar os singles. O designer do flyer havia incluído uma brincadeira tipográfica do nome do selo, algo como:

 

1980 FORWARD
1980 FWD
1984 AD
4AD



No desespero por um novo nome, Watts olhou para o flyer e falou "4AD". Peter Kent concordou e em frações de segundos, nasceu a 4AD.



A primeira banda oficial da gravadora foi o Bauhaus, que já causava burburinhos pela canção de 9 minutos Bela Lugosi's Dead, muito tocada no programa de rádio da BBC Radio 1 do DJ John Peel's (sim, aquele das Peel Sessions). O 1º LP lançado pela 4AD: In the Flat Field.



30 anos se passaram e "alguns" dos nomes que deixaram sua marca, através das portas abertas pela 4AD:



- Tindersticks
- TV on the Radio
- The Amps
- Belly
- Bettie Serveert
- Frank Black
- The Breeders
- Harold Budd/Elizabeth Fraser/Robin Guthrie/Simon Raymonde
- Cocteau Twins
- Dead Can Dance
- His Name Is Alive
- Insides
- Lush
- Mojave 3
- Pale Saints
- Pixies
- Spoonfed Hybrid
- Stereolab
- That Dog
- This Mortal Coil
- Throwing Muses
- The Wolfgang Press



Hoje, novos nomes como Ariel Pink, Blonde Redhead e The National, trazem o que há de melhor na música atualmente. Impressionantemente ainda conseguem inovar, assim como fizeram seus antepassados parceiros de gravadora.



Além da busca pela beleza em campos nem um pouco convencionais da música, as artes nas capas dos álbuns da 4AD são uma história à parte. Vaughan Oliver, artista gráfico, foi convidado em 1982 por Watts-Russell e acabou tornando-se o responsável pela revolução gráfica na arte de CD's e discos de bandas como Cocteau Twins, Dead Can Dance, The Breeders, This Mortal Coil, Pale Saints, Pixies e Throwing Muses.



Em 1988, juntou-se com outros artistas como Chris Bigg, Paul McMenamin, Timothy O'Donnell, Tim Vary, Adrian Philpott, Simon Larbalestier e montou o V23 Studio. Seu impacto sobre a indústria da música pós-punk ainda é comemorado, assim como sua influência sobre uma geração de designers que exploram até hoje as possibilidades abertas por Oliver em tipologias e impressões.



Hoje em dia, a gravadora faz parte do Beggars Group (Matador Records, Rough Trade Records e XL Recordings), uma união de potências da música alternativa que têm sobrevivido a todas as mudanças avaçaladoras comerciais do mundo musical, contrariando a péssima maré mainstream. Com isso, a 4AD chega aos trinta muito bem, obrigada, com o posto de maior e mais importante gravadora alternativa em atividade.


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Autor: Rety
Publicada em: 02/09/2010


Para ouvir:
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