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Resenha - Sinewave Festival III (Jokers Bar - Curitiba)

No início da década de 90, Curitiba foi palco de um dos festivais mais importantes da música alternativa nacional, o famoso BIG. Bandas nacionais e internacionais dividiram os palcos do Ninety Two Degrees e do The Hole, dois dos mais clássicos bares que a cidade já teve. O festival foi tão importante, que alguns anos depois a capital do Paraná chegou a ser considerada a capital grunge do Brasil. Não pelo estilo em si, mas pela auto-suficiência dos shows e bandas que por aqui rasgavam ouvidos da galera mais antenada.

 
Coincidências a parte, duas décadas depois do BIG (mais especificamente na noite do dia 21/01/2011), o Jokers Bar - uma das casas mais auto-suficientes e íntegras da cidade - recebeu em seu palco uma enxurrada de bandas totalmente fora do eixo público-grana-casa-cheia.
 
Black Sea, This Lonely Crowd, Herod Layne, Loomer, Duelectrum mais a galerinha que aqui escreve nas pick-ups, destilaram o velho e o novo rock alternativo.  Isso tudo organizado pelo selo Sinewave, que tornou essa noite possível e inesquecível. Não bastasse, o festival contrariou o dito “música não convecional = casa vazia”, trazendo um público pra lá de considerável e que se não sabia o que estava fazendo ali, descobriu rapidinho...
 
 
Black Sea - By Prestor
 
A noite começou com pequeno atraso por problemas aéreos, mas que serviu para esquentar os presentes. 
Os curitibanos do Black Sea, excelentes representantes do post-rock-metal, foram os primeiros a pisar no palco do Jokers. Os caras combinam um instrumental forte, solos de guitarra cortantes e cheios de efeitos, um vocal intenso e rasgado, que serve como contraponto e desconstrói a perfeição instrumental apresentada pelos caras. Chamaram fácil a atenção dos curiosos, admiradores e assustados ali presentes. Durante sua apresentação, muitos efeitos sonoros e microfonias constantes ao fundo, durante e entre as músicas, fazendo do show uma obra de arte única. 
 
 
This Lonely Crowd - By Prestor
 
Depois do (bom) susto do Black Sea, foi a vez dos personagens de Lewis Carroll mostrarem a cara (literalmente) e aterrisarem no Jokers o melhor do pós-rock. This Lonely Crowd subiu ao palco com muita simpatia, carisma e bom humor (coisa que infelizmente não é muito bem vista num meio onde ser triste e esnobe - pra não dizer babaca - é sinônimo de ser “cool”). Voltando ao assunto, os caras (+ senhorita), deslancharam boa música, mataram a curiosidade e surpreenderam. Um show de dar orgulho de ser curitibano! Camadas e camadas de guitarras, cheias de efeitos, maravilhosas e melodias marcantes. Isso sem contar o público fiél da banda, que cantou junto, se divertiu e fez gente que nunca tinha ouvido falar dos que estavam no palco, dançar junto com músicas que passam longe de ser sinônimo de felicidade. Um ótimo show pra se ver, ouvir, divertir e apreciar.
 
 
Herod Layne - By Prestor
 
Mas a noite estava apenas começando... Depois da grande revelação da noite, foi vez de mais um choque. E que choque! Fácil, fácil os paulistanos do Herod Layne foram a melhor banda da noite (se é que dá pra comparar, diante a riqueza e diversidade artística apresentada). Mas o que impressionou é que não teve um presente no recinto - pelo menos conhecido nosso - que não mostrou o braço com os cabelinhos arrepiados pra alguém durante o show dos caras. Noise, barulho, riffs belíssimos, arte e muita, muita diversão. Tivemos a sorte de pegar o baterista (que destruiu, por sinal) antes de abrir as cortinas, dizer aos amigos de banda: “se divirtam galera!”. 
E foi exatamente o que os caras fizeram... Despretensiosos e perfeitos! A intensidade do show foi tamanha que a platéia gritava nos ápices instrumentais. O final foi simplesmente apoteótico, fazendo a galera romper a bolha curitibana, que sempre fica vazia em frente ao palco (img. 1), e mexer nos pedais dos caras, arranhar as cordas das guitarras e contribuir para o ato belíssimo que ali era feito. Show pra ver 15 vezes por ano no mínimo...
 
 
Loomer - By Prestor
 
Depois do belíssimo tapa-nazoreia do Harod Layne, foi a vez dos gaúchos do Loomer rasgarem babas das platéia presente... Quando os caras começaram a montar seu equipamento, deu pra ver que não estavam ali de brincadeira... Uma infinidade de pedais! Aliás, os maiores mentores por trás do festival Elias e Luiz chegaram a comentar que seria o record de quantidade de pedais em um só palco haha. 
 
A banda acabou atrasando um golão por problemas com o baixo que simplesmente foi pra fita. Isso acabou dispersando muita gente que precisava trabalhar no dia seguinte. - Mas que saco, acordar com sono e ressaca? Foda-se! - Quem ficou não se arrependeu... Até Second Come saiu... Guitarras, guitarras, distorções, microfonias, bateria porradeira cheia de viradas, um vocal belíssimo... Stefano (vocais, guitarra), Liege (vocais, baixo), Richard (guitarra) e Guilherme (bateria) sabem muito bem como impressionar musicalmente no palco. O velho e bom shoegazer pra ninguém botar defeito.
 
 
Duelectrum - By Prestor
 
Pra fechar a noite, os lendários do Duelectrum subiram ao palco para tocar pros poucos que restaram. Nós infelizmente só vimos parte da apresentação... Uma depressão total por aqui pois sabíamos que dá pra contar nos dedos de duas mãos mutantes quantas vezes os caras deram as caras no palco e que esse seria o primeiro show deles no ano... Por sorte nossa, conhecemos um ouvinte da KK Radio, fotógrafo (responsável pelas fotos da matéria), músico e ponta-firme que conseguiu assistir o show dos caras... O Prestor
 
Apesar das músicas intensas e da forte energia da banda, os poucos que restaram estavam destruídos pelas bandas anteriores e não se animaram. Mesmo assim, o Duelectrum destilou seu noise com um show rápido, intenso e barulhento. Esperamos que em breve os caras retornem à Curitiba ou que possamos assistir ao seu show completo!
 
 
Confira alguns videos da noite:
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Black Sea, This Lonely Crowd, Herod Layne, Loomer e Duelectrum (por http://www.defenestrando.com/)
 
 
 
Textos por: Juliana Queiroz, Prestor, Qué, Rafael Campagnaro e Rety

Foto capa: Juliana Queiroz


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Autor: Rety
Publicada em: 15/02/2011


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