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Pin Ups - Ao vivo

Banda celebra os vinte anos do primeiro álbum e acena com possível retomada da carreira
Banda celebra os vinte anos do primeiro álbum e acena com possível retomada da carreira

Vinte anos atrás, o mundo assistia à queda do muro de Berlim pela TV. Especialistas dizem que o século 20 acabou ali, com a derrubada da parede que dividia a Alemanha em duas e simbolizava a opressão da cortina de ferro soviética sobre parte considerável do mundo, representada ali no lado oriental alemão. E o mundo, como não poderia deixar de ser, nunca mais foi o mesmo.
 
Há também vinte anos, garotos paulistas, de saco cheio do rock brasileiro, decidiram que o barulho vindo das guitarras inglesas no final dos anos 80 era muito melhor que a chatice modorrenta do pop feito em São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Porto Alegre. Fundaram o Pin Ups com referências estéticas explícitas do que havia de mais barulhento e contemporâneo no Reino Unido. Zé Antônio, Luiz Gustavo e Marquinho emulavam Jesus and Mary Chain, Telescopes, Primal Scream, Loop e Thee Hypnotics dando a cara a tapa, enquanto entre os colegas nacionais, o mais antenado fazia no máximo um dedilhado de guitarra à Smiths. A maioria ainda citava Clash, Who e Police.
 
Time Will Burn, primeiro disco do à época trio, saiu em 1989 pela extinta gravadora Stiletto. Um redemoinho de guitarras pesadas e microfonias cortado pela voz entre o sussurro e o grito primal de Luiz Gustavo. Cabelos emaranhados em cima dos olhos, jaquetas pretas de couro e visual carregado – nada dos tons pastéis do Ultraje a Rigor ou do couro Rolling Stones anos 70 do Barão Vermelho. Não deviam nada em eletricidade e estética a uma horda de ingleses cabisbaixos que pipocavam em cada esquina das ilhas britânicas. O disco ensinou que, mesmo à distância e com atrasos consideráveis na recepção de informações sobre o que havia de mais criativo e escondido na Europa e nos Estados Unidos (quem tem um computador conectado à rede em casa desde a infância não sabe o que isso significa), era possível fazer rock internacional, mesmo em um arraial distante do mundo como o Brasil dos anos 80.
 
A banda escolheu o CB Bar, em São Paulo, para voltar em apresentação única de comemoração às duas décadas do lançamento do álbum que mudou definitivamente a ideia de fazer rock no Brasil sem responsabilidades comerciais. Da formação original, apenas Luiz Gustavo e Zé Antônio (guitarra). Flávio Forgotten (Forgotten Boys) assumiu as baquetas (ele foi baterista da banda depois da saída de Marquinho) e a baixista Alê, adicionada logo depois do lançamento de Time Will Burn, foi substituída por Jesus Sanches, do Los Pirata.
 
No repertório, apenas as pauladas do primeiro e do segundo álbum, Scrabby? (1992). Elas vieram logo de cara. A primeira, “You're Not The One” (e com Luiz Gustavo trocando as letras, cantando alguns versos de uma outra música da banda em cima da harmonia). Seguiram, não necessariamente nesta ordem, ”Kill My Self”, “Sonic Butterflies”, “Bright” e faixas do Scrabby?, como “I Feel Love”, “Going On”, “Dedicated”, “You Die” e “Pure”. “The Groover”, talvez o maior anti-hit, que fecha Time Will Burn, encerrou a apresentação.
 
Em pouco menos de uma hora, a banda fez o que precisava ser feito: celebrar os 20 anos do marco zero do indie rock feito no Brasil, sem amarras nacionais e sem vergonha de soar internacional. No palco, o clima noisy do início dos 90, marca de Time Will Burn, deu lugar ao ruído seco e direto, à Stooges, de Scrabby? Mas a Fender Jaguar de Zé Antônio continua certeira, esquentando amplificadores com doses crescentes de distorção e feedback. Enquanto isso Luiz Gustavo tropeçava nas letras, marca registrada de algumas de suas performances à frente da banda.
 
Ao que tudo indica, a apresentação de sexta passada (6 de novembro) foi única. Sob o título de Pin Ups Reunion, serviu para comemorar as duas décadas de um disco que mexeu com o imaginário de muito garoto enjoado do rock brasileiro de bermuda cansado que, no final dos anos 80, começava a ser trocado nas FMs do país pela dance music. Mas ter a banda de volta à cena não seria má ideia. No Twitter, Zé Antônio avisa que voltou a compor. Seria o indício de novidades para o Pin Ups?


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Autor: Mondo Bacana
Publicada em: 21/11/2009


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