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Free jazz chega aos 50 anos com reinvenções

Mats Gustafsson, parceiro do guitarrista Thurston Moore, do Sonic Youth.
Mats Gustafsson, parceiro do guitarrista Thurston Moore, do Sonic Youth.

 

Há cinco décadas, o mundo do jazz era sacudido por músicos cansados da mesmice a que o estilo tinha se acomodado. Surgia o free jazz, carregado de dissonâncias, polêmica e rejeição --traços que o acompanham até hoje. Em meio a veteranos sobreviventes, como o pioneiro Ornette Coleman, e músicos mais jovens, o free jazz tem se revitalizado, mas vem mantendo sua aura radical.

Diversificada e abrangente, a atual cena free jazz mostra o quanto o estilo permanece vivo e provocador. E a ampla leva de discos que acaba de chegar ao mercado internacional ilustra esse momento: músicos de diferentes partes do mundo explorando formações instrumentais e parcerias diversas.

Um dos nomes mais atuantes é o saxofonista sueco Mats Gustafsson. Parceiro do guitarrista Thurston Moore, do Sonic Youth, em diferentes projetos, Gustafsson tem procurado fazer uma ponte entre o garage rock e o free jazz. Com seu novo trio, o Fire!, Gustafsson acaba de colocar no mercado "You Liked Me Five Minutes Ago".

Gustafsson é conhecido por suas releituras instrumentais em alta voltagem, que já passaram por faixas como "To Bring You My Love" (PJ Harvey) e "Art Star" (Yeah Yeah Yeahs).

No piano, a grande figura hoje é o americano Matthew Shipp. O músico tem emprestado seu dedilhado a inusitados projetos, tendo gravado com os rappers do Antipop Consortium e com o DJ Spooky. Shipp acaba de preparar "4D", álbum solo no qual ecoam suas andanças além do jazz, que o distanciam da pegada mais clássica de um Brad Mehldau.

Na globalizada cena free jazzística, não faltam brasileiros. O mais destacado é o saxofonista paulista Ivo Perelman. Radicado em Nova York, Perelman, 48, tem mantido uma intensa produção, que supera os 30 álbuns. Acaba de lançar Mind Games, um power trio de sax-baixo-bateria. "O free jazz não apenas permanece vivo como também tem se embrenhado no tecido da própria música contemporânea, se mesclando e ecoando em outros estilos. Como expressão artística, está mais vigoroso que nunca", disse Perelman, de NY, à Folha.

As mulheres estão presentes na cena e, diferentemente do que se está acostumado a ver quando o assunto é jazz, não são majoritariamente nem pianistas nem cantoras. A baixista francesa Joelle Leandre é uma das mais destacadas. Ao lado de William Parker, mostra no novo "Live at Dunois" um raro e sedutor duo de baixos.

O leque de lançamentos traz ainda o último trabalho de Joe Morris, considerado por muitos o grande da guitarra free contemporânea. Morris, munido de uma guitarra sem pedais ou efeitos, cria com seu quarteto um som que pode até parecer suave, mas que oferece pouca facilidade de escuta.

 

História de cinco décadas

A gênese do free jazz está associada ao nome do saxofonista Ornette Coleman. No fim dos anos 50, Coleman juntou um quarteto com o qual desafiou as regras da época. Em outubro de 59, gravou "Change of the Century" (mudança do século), álbum que trazia a faixa "Free" e anunciava as transformações sonoras que se aproximavam.

No ano seguinte, Coleman intensifica suas pesquisas e cria o seminal álbum "Free Jazz". Revolucionário até em sua formação, que contava com dois bateristas e dois baixistas, além de sopros, "Free Jazz" acabou por batizar o estilo nascente.


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